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Adiamento de oferta foi benéfico, diz OdontoPrev
Veículo: Agência Estado
Data: 31.01.2007
A OdontoPrev chegou ao mercado em dezembro, oito meses depois de ter solicitado
registro de companhia aberta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em abril. O adiamento da
oferta, acordado entre administradores, acionistas e bancos coordenadores, se deveu ao período de
depressão da Bovespa a partir do mês de maio do ano passado, o que acabou por atrasar e até
cancelar algumas colocações.
"O processo de abertura de capital de uma empresa é algo que só se faz uma vez. Precisávamos
esperar o melhor momento", afirmou José Roberto Pacheco, diretor de Controladoria e Relações com
Investidores da OdontoPrev, em entrevista exclusiva à Agência Estado. O profissional, que esteve por
mais de dez anos na área de RI da Caemi, comanda o departamento da companhia de planos
odontológicos desde abril _ após uma breve passagem pela GOL _ e conta com uma equipe de cinco
pessoas.
Na avaliação dele, ao final das contas, o adiamento da operação favoreceu a oferta da empresa, uma
vez que antes de chegar à bolsa a OdontoPrev divulgou três balanços trimestrais, cujos números
puderam ser analisados pelo mercado. "Isso acabou sendo muito didático para os investidores. Antes
mesmo de as ações serem lançadas, eles já tiveram condições de saber o que era a empresa em
números", afirmou. Em nove meses de 2006, a companhia acumula 32% de alta em seu lucro líquido,
que soma R$ 17 milhões. O Ebitda ajustado subiu 42%, para R$ 33 milhões, com margem de 25%.
A empresa fez um IPO de sucesso na Bovespa, com forte demanda pelos papéis, que superou em 10
vezes a oferta, e boa valorização _ 32% desde a estréia até a sexta-feira.
A oferta da companhia chegou ao mercado em um momento em que as distribuições estavam sendo
retomadas, após meses de pouco apetite dos investidores. No lado do varejo, os pedidos foram
atendidos até o corte de R$ 5.700,00. No lado do institucional, Pacheco informa que todos os
investidores receberam ações. "Ninguém levou tudo o que pediu, mas todos saíram com alguma
quantidade de papéis."
Ao final da distribuição, a OdontoPrev conta com 9.772 acionistas. "Daqui para a frente, estamos em
um outro momento, que é a leitura de nosso negócio no mercado, em um segmento novo para os
players", diz.
A oferta também serviu para que o fundo de private equity TMG vendesse parte da fatia que detinha na
empresa e deixasse de ter o controle. Segundo Randal Luiz Zanetti, presidente da OdontoPrev, o
processo de abertura de capital começou em 98, quando a empresa decidiu se associar ao fundo.
"Com isso, ganhamos não só os recursos de consolidação para aquele momento, mas também em
governança corporativa", diz, reforçando que desde a fundação, em 1987, a companhia conta com
uma administração profissional.
O TMG não saiu totalmente da empresa após a oferta de ações e continua com participação de 13%,
que está incluída no free float atual, de 84% _o que confere à OdontoPrev um controle difuso.
(Ana Paula Ragazzi)
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