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Odontoprev amplia distribuição e portfólio sem endividamento

Veículo: Saúde Business Web
Data: 26/09/2008


Manter um percentual considerável do capital nas mãos de investidores estrangeiros pode ser uma estratégia arriscada em momentos de alta volatilidade internacional, quando fundos e acionistas realizam lucros em emergentes para se recolherem ao mercado de origem, evitando maiores perdas. Entretanto, o comportamento médio encontra alguns desvios. Em plena tempestade em Wall Street, José Roberto Pacheco, diretor de relações com investidores e controladoria da Odontoprev, acaba de chegar de uma rodada de 50 reuniões em quatro países com gestores, bancos e fundos. "Há um enorme interesse em cases tipicamente brasileiros e small caps que mantenham integração com os acionistas. O investidor estrangeiro está mais seletivo do que nunca, buscando opções diferenciadas, com preço de entrada interessante", avalia Pacheco.

O fato de ingressar no Novo Mercado da Bovespa com mais de 80% do capital em circulação, ser a única companhia de capital aberto do mundo exclusivamente de planos odontológicos e ter nascido com administração profissional foram fatores, para o executivo, determinantes para atrair a atenção e os recursos dos estrangeiros. Esses acionistas respondem por 60% do capital da companhia, o que pode deixá-la mais volátil em momentos como o atual, em que os estrangeiros se retraem ao mercado de origem - ainda assim a empresa tem conseguido se manter no azul em relação ao IPO, em dezembro de 2006, com valorização superior a 15% até ontem. "Diferentemente da maioria das companhias brasileiras, jamais tivemos uma família na gestão, durante os 22 anos de operação", ressalta o executivo.

Os administradores detêm 15,9% do capital da empresa e apenas três acionistas - um brasileiro, um europeu e um americano - mantêm participação acima de 5%. A estratégia da companhia é avançar com aquisições e também através de parcerias com novos canais de distribuição dos planos. Desde a oferta inicial de ações foram seis aquisições, incluindo as recentes compras da Sepao e Prontodente, que adicionaram 24% à margem de geração de caixa. "Nosso mandato permanece sendo de consolidar o setor, com compras seletivas e entregando mais que o prometido no IPO", afirma o executivo. A empresa já desembolsou R$ 50 milhões em aquisições e tem outros R$ 20 milhões a contabilizar até o final do ano, de negociações em fase de análise e aprovação. "Serão R$ 70 milhões aplicados até o fim de 2008, mas já geramos mais do que isso no período. Em 2006 (ano do IPO), fechamos o caixa com R$ 205 milhões e em junho deste ano, tínhamos R$ 218 milhões, que mostra que a empresa é forte geradora de caixa", diz.

O "truque", resume Pacheco, é a combinação de escala e tecnologia de controle - mas a companhia tem o desafio de implementar sua administração nas novas controladas. Hoje as compras afetam o índice de sinistralidade da companhia. No comparativo com o segundo trimestre de 2007, aumentou de 41% para 43% este ano. A explicação, conforme a companhia, está nos efeitos da aquisição da Rede Dental, que tem índice de 56%.

Novos canais Há três anos, a companhia mantinha a distribuição dos planos totalmente concentrada nos contratos com clientes corporativos, como atendimento aos funcionário do Itaú, Cemig e Banco Real. Apesar da carteira ainda centrada, a operadora começou a avançar em outra frente. Para ficar mais próxima ao Relatório de Atividades e clippings da Assessoria de Imprensa – setembro/08 usuário, começou a firmar parcerias com varejistas e instituições financeiras, como Pernambucanas, Lojas Riachuelo, Banco Panamericano e a financeira Ibi, para venda dos planos à pessoa física. "Há três anos não tínhamos venda alguma nesses canais, que hoje já representam 15% do nosso número de beneficiários", conta Pacheco. "As duas frentes (varejo e corporativo) permitiram à empresa crescer 90% em dois anos e ainda há nichos para ingressar. No Brasil, 40 milhões de pessoas têm planos médicos mas somente 10 milhões têm plano odontológico."

A penetração começa a aumentar pelo valor competitivo dos planos de saúde bucal, cerca de 10% do valor de um plano médico. "Temos que considerar ainda que cerca de metade do mercado de planos de odontologia estão no estado de São Paulo e quase 140 milhões de brasileiros ingressaram na classe C", ressalta. A parceria com os novos canais de distribuição visa permitir a penetração em novos mercados, onde o varejo e o setor bancário dominam a cultura local e se interessam no comissionamento pago pela operadora para venda de planos bucais.




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