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Novatas pagam dividendos elevados
Veículo: DCI
Data: 09/07/2007
Com o objetivo de atrair investidores e consolidar-se no mercado em que atuam, algumas empresas que realizaram abertura de capital recentemente têm distribuído dividendos bem acima dos 25% mínimos estabelecidos na Lei das Sociedades Anônimas.
Um caso típico desse comportamento é o da operadora de planos OdontoPrev, cuja abertura de capital ocorreu em dezembro do ano passado. Suas ações são negociadas, desde então, no Novo Mercado, mais alto grau de governança corporativa da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
A companhia, que triplicou de tamanho desde 2001 e possui cerca de 1,7 milhão de clientes em todo País, destinou 101% do seu lucro de 2006 - R$ 17 milhões - a acionistas. De acordo com o diretor de relações com investidores da OdontoPrev, José Roberto Pacheco, a estratégia da empresa combina geração de valor aos acionistas, consolidação da liderança no mercado em que atua e pagamento de bons dividendos. "Temos R$ 200 milhões em caixa e não vamos retê-los. A mensagem da empresa ao acionista é de comprometimento, o que é positivo para os minoritários.
Por isso, temos um nível de pulverização mais de três vezes superior ao exigido pelo Novo Mercado", diz Pacheco. A companhia captou, desde a abertura de seu capital, aproximadamente R$ 170 milhões. E, em fevereiro deste ano, adquiriu por R$ 25 milhões a DentalCorp.
"A idéia de ir para a Bolsa estava baseada em um mandato de acionistas que previa o crescimento acelerado em um setor que aumenta de tamanho 19% anualmente. Os recursos levantados após a abertura fazem parte desse plano", diz o executivo.
Outra empresa que tem distribuído altos percentuais de dividendos a acionistas é a consultora e intermediadora de negócios em imóveis Lopes, cujos valores repassados chegaram, no ano passado, à marca dos R$ 6 milhões. A empresa, cuja abertura de capital ocorreu em dezembro de 2006, distribuiu o equivalente a 42% dos lucros, que foram de R$ 14,3 milhões. Segundo o analista da empresa, Diego Barreto, a política de repasse de altos percentuais de lucro aos acionistas é possibilitada pela geração de um significativo fluxo de caixa. "A Lopes, como consultora, fica responsável apenas pelas etapas de desenvolvimento de projetos de construções e intermediação de corretores. Por esse motivo, há importante sobra de caixa", diz.
A companhia também está listada no Novo Mercado da Bovespa. Para Barreto, inclusive, a implementação de instrumentos de comunicação que diferenciem a companhia futuramente será importante mecanismo de percepção aos acionistas de que a política de pagamento de dividendos não é casual ou oportunista. "A empresa tem 75 anos e está em uma fase de transição que envolve sua expansão. A Lopes não é mais uma empresa de controle familiar", diz o executivo.
Há a expectativa de que, no futuro, surja uma alteração estatutária na companhia em que seja estabelecido, de forma explícita, um percentual maior para pagamento de dividendos. Atualmente, porém, o documento trabalha com os 25% previstos em lei. A Lopes, cujos negócios estavam concentrados até o ano passado em São Paulo e Rio de Janeiro, tem estruturado um plano de expansão geográfica. Já há filiais em três outras grandes capitais: Rio Grande do Sul, Salvador e Curitiba. Nos próximos meses, Santa Catarina deverá ser o próximo destino.
Empresas do setor de infra-estrutura também têm praticado a política de direcionar grande parte dos dividendos a seus acionistas. É o caso da Equatorial Energia, cujo único ativo é a Companhia Energética do Maranhão (Cemar), arrematada em privatização no ano 2000. "Estatutariamente, mantivemos os 25% que a lei especifica. Nossa idéia é pagar o máximo de dividendos enquanto não houver a expectativa real de aquisições", diz o gerente de relações com investidores da empresa, Arnaldo Faissol.
A Equatorial - que atua nos ramos de operação e distribuição de energia - tem planos de crescimento que incluem a compra de ativos de possíveis privatizações nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A empresa, cuja abertura de
capital ocorreu em março do ano passado, distribuiu R$107,8 milhões a seus acionistas. Percentualmente, o montante representa 86% dos R$ 125,4 milhões referentes aos lucros gerados em 2006. A companhia está listada no nível dois
da Bovespa.
Histórico
A Natura, empresa do ramo de cosméticos cuja abertura de capital ocorreu em 2004 tem, desde então, histórico de repasse de altas margens dos resultados obtidos a seus acionistas. O estatuto social da companhia, que também está no Novo Mercado da Bovespa, estabelece percentual mínimo obrigatório de distribuição de 30% sobre o lucro líquido do exercício, e faculta a possibilidade de ajustes conforme os resultados registrados no período.
Para 2006, por exemplo, o Conselho de Administração da companhia aprovou política indicativa de distribuição de 45% do lucro líquido. A Natura adiantou o pagamento de dividendos e juros de capital referentes ao ano passado no
total de R$ 140,6 milhões.
Em Assembléia Geral Ordinária, realizada em abril deste ano, foi encaminhada uma proposta de ajuste de valores cujas bases orientam o pagamento de dividendos adicionais de R$ 213,8 milhões. O valor, somado, equivale a R$ 354,4 milhões - 77% do lucro da Natura em 2006.
Para o administrador de investimentos Fábio Colombo, embora cada empresa represente um caso, é necessário o acionista estar atento com companhias que pagam altos dividendos. "A sinalização que elas dão ao praticar essa política é de que não precisarão dispor desse capital para investir", diz o administrador.
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